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Sexo frágil??? (Mirela com 1 mês e 22 dias de vida)

Segunda-feira, 25 de janeiro de 2010.

De semana passada pra cá tem sido barra. Dia sim, dia não, Mirela tem sofrido com cólicas terríveis, de se esguelar de chorar, e a sensação que temos é que aquelas dores não vão passar nunca. Por Deus, sempre como último recurso, uso Tylenol e quando o remédio começa a fazer efeito, ela acaba adormecendo, também talvez vencida pelo cansaço. Começa o dia super bem, mas a medida que o dia avança e a noitinha cai, começa o desespero que se prolonga até a noite…

Sábado, retirei tudo da minha alimentação e passei praticamente do dia inteiro tomando suco de maracujá e pão seco, sem nada dentro, fora o almoço, só arroz branco, quase na água e sal, e frango. Nesse dia, que minha alimentação foi quase zero, ela ficou super bem. Fui ao supermercado (eu mesma fui!!!) e comprei coisas que eu achava saudáveis e que poderiam substituir o que eu estava comendo: suco Ades de maçã, geléia de morango pra poder comer no pão, torrada integral, melancia. No domingo, entrei nesta minha nova alimentação, mas o dia foi péssimo… Como eu comi tudo novo num mesmo dia, nem dá pra saber o que fez mal pra ela. Na dúvida, hoje suspendi tudo isso, quer dizer, ficaram as torradas integrais puras, e voltei ao pão puro, torrada pura, maçã, suco de maracujá, arroz branco, salada só de batata e cenoura cozidas no vapor. Não sei mais o que comer. Tenho medo de “inovar” tentando acertar e me ferrar de novo.

Eu pensei que manteria a mesa dieta saudável da gravidez e estaria tudo certo. Mas que nada! Na amamentação, a dieta é muito mais restritiva. Ontem, meu marido deixou de comer camarões em solidariedade a mim…Coitado, se entrar nessa, vai secar!

Como minha alimentação está muito restrita, fiquei com medo de começar a enfraquecer e adoecer e também ficar sem nutrientes para Mirela. Assim, voltei a tomar Materna, que tomava durante a gravidez. Ela também é indicada para o período de lactação. Então, vai ser o jeito suplementar a alimentação com a vitamina.

No meio dessa confusão toda, lembrei esses dias de uma música das antigas do Erasmo Carlos, que antes achava bem piegas, mas agora fica martelando na minha cabeça e me soa como uma ode à mulher. Quem não é do meu tempo nem vai conhecer, mas vou colocar aqui a letra para vocês conferirem. Ele fez essa música inspirado na esposa dele, que deve ser bem merecedora, como todas nós…

Então, eu pergunto: nós que enfrentamos com toda a garra as dificuldades da maternidade, desde a gestação até quando os filhos nascem e crescem, somos o sexo frágil???

MULHER - Erasmo Carlos

Dizem que a mulher é o sexo frágil
Mas que mentira absurda
Eu que faço parte da rotina de uma delas
Sei que a força está com elas

Vejam como é forte a que eu conheço
Sua sapiência não tem preço
Satisfaz meu ego se fingindo submissa
Mas no fundo me enfeitiça

Quando eu chego em casa à noitinha
Quero uma mulher só minha
Mas pra quem deu luz não tem mais jeito
Porque um filho quer seu peito
O outro já reclama a sua mão
E o outro quer o amor que ela tiver
Quatro homens dependentes e carentes
Da força da mulher

Mulher, mulher
Do barro de que você foi gerada
Me veio inspiração
Pra decantar você nessa canção

Mulher, mulher
Na escola em que você foi ensinada
Jamais tirei um dez
Sou forte mas não chego aos seus pés

O domingo que Mirela quis aproveitar… (Mirela com 1 mês e 14 dias de vida)

Segunda-feira, 18 de janeiro de 2009.

Pois é…quando a gente acha que a rotina engatou, os bebês jogam tudo por água abaixo! (risos)

Ontem, Mirela deu um show de resistência. Tudo parecia bem tranquilo as 7:30h da manhã, quando acordamos todos, eu , ela e o papai JU. Mas logo pela manhã ele mostrou que queria mesmo era curtir o domingo com os pais, e bem acordadinha!

Pela primeira vez em sua historinha de vida, ela resolveu ficar 12h acordada, dando apenas minúsculas sonequinhas de 20 a 30 minutos umas 3 vezes durante o dia. Parecia que sabia que era domingo, que papai estava em casa e que precisava curtir…Não teve dor (???), teve alguns episódios de choro, mas queria mesmo era ficar acordadona e passeando pela casa, no colo! E haja braço, costas e mãos para sustentar esses quase 4,500kg! =) E assim foi até as 19:30h, quando enfim, vencida pelo cansaço, capotou NO MEU OMBRO! Atrás dela, lá fui eu: plena 7 da noite e eu dormindo…Graças a Deus, a rotina da noite continua, com apenas uma mamada por volta de 2 ou 3h da manhã.

Se essa moda pega...

Se essa moda pega...

Então…a maternidade é assim. Hoje eu estava preparada para outra “surra” de 12h como ontem, mas me enganei de novo: lá está ela dormindo no carrinho desde as 11:30h da manhã…e são 15:30h agora! É por isso que estou aqui, me distraindo um pouco escrevendo e navegando na net… Vai saber até que horas… risos…

Mirela curtindo uma rede com papai JU

Mirela curtindo uma rede com papai JU

Bem, passei só pra deixar registrada esta prova de resistência a qual fomos submetidos… e estamos vivos e inteiros! =)

Deus abençôe a todos!

E a vida segue… (Mirela com 1 mês e 11 dias de vida)

Quinta-feira, 14 de janeiro de 2010.

A vida segue…

Desde que escrevi pela última vez aqui, muita água rolou. Então, vamos às novidades…

Graças a Deus, minha pequena Mirela não em tido cólicas e nem dificuldade para dormir. Os dias em geral são tranquilos, com as manhãs cheias de manhas, com muitas mamadas entre 7 e 12h. As tarde são de sono, a não ser ontem que pelo calor insuportável acho que ela não conseguiu manter se soninho comprido da tarde inteira. Mesmo assim, ainda deu tempo de eu ir ao médico, deixá-la dormindo e voltar e encontrá-la ainda dormindo. A noite temos nossa rotina de dormida de 5 a 6h seguidas, com uma mamada apenas na madrugada e o despertar entre 6 e 7h da manhã. Uma bênção! Estava apreensiva quanto ao ganho de peso e crescimento dela por causa desses estirões de sono, mas a visita à pediatra hoje foi suprema!

Sim, eu fui ao otorrino ontem, pois desde segunda-feira estava mal da garganta, tive febre, dor no corpo, etc…Estava apavorada e comecei logo a usar máscaras N95, aquelas que protegem da transmissão da gripe suína…Mas a otorrino me tranquilizou e que era um quadro viral simples e me medicou. Hoje estou bem melhor, mas ainda evitando ficar muito tempo com a nenê no colo (as vezes é impossível!).

Hoje, então, fomos na segunda consulta à pediatra. Dia de levar os zilhões de exames feitos durante o mês (pezinho, olhinho, ouvidinho, vacinas…) e dia de expectativa: o peito tá prestando ou não??? Surpresa!!! Mesmo com as 5 ou 6 vezes que tive que dar complemento (há 10 dias ela não encosta em Nan! glória a Deus!), mesmo achando que eu tô com pouco leite (bem, realmente doadora eu não vou ser…), mesmo com as horas de sono que ela tira durante o dia e a noite, minha menina ganhou 1,250kg em 1 mês e está com 54cm, tendo crescido 4,5cm! Estamos de parabéns! A nem tão pequena Mirela está hoje com 4,300kg! Daí a minha dor nas costas na hora do banho…risos…

As recomendações mais dolorosas: vacinas com 2 meses: pentavalente, prevenar e rotavírus…tudo num dia só…ai, ai, ai, tadinha! E estimo que gastaremos algo em torno de 300 reais ou mais, pois pelos benefícios oferecidos pelas vacinas particulares, esta será nossa opção, afinal, dá pra parcelas em até 5x no cartão (risos).

Mirela tá cada dia mais esperta: chega a interagir com alguns brinquedinhos, como o “Macaco Chico” que a tia Vládia deu (por enquanto, o preferido dela, depois da “Centopéia Emília”, é claro!), o “Espelho Espelho Meu” para bebês da Fischer Price e fica atenta aos barulhinhos de bichos do mini-móbile que o papai Ju deu pra ela. No banho, fica de olho nos “Patinhos Amarelinhos 1, 2 e 3″ que eu coloco na banheira e tenta pegá-los ou seguí-los com os olhos. E ela ainda ganhou mais bichinhos de banho (ainda sem nome!) da tia Erika, que vei aqui rapidinho ontem. Vai ser uma farra o banho! Cabeça endurecendo, ficando levantadinha quando está no meu ombro pra arrotar, espiando ao redor, Linda! Detalhe: assim como a Karine, vou dar nome a todos os bichinhos e brinquedos dela, como já eu pra notar…

E a mama aqui, como está? Bem melhor emocionalmente, apesar de baqueada pela gripe fisicamente. Estou aprendendo dia a dia a rotina que ela vai me impondo e eu vou curtindo e inventando moda, como por exemplo fazer massagem nela antes do banho das 11h da manhã. Ainda quero fazer shantala nela, mas comecei aos poucos, fazendo massagens nos pezinhos. Como vi que ela curtiu (e muito!), passei a fazer nos pés e nas pernocas, e no primeiro dia ela chegou a dormir por uns 20 minutos na massagem! É muito legal! Depois, um banho relaxante, peito e soneca da tarde, quando então a mama pode almoçar tranquila e tomar um banho antes de descansar também. E assim vamos nos descobrindo…

Comecei a receber visitas semana passada, dois aqui, duas ali, outra acolá…Foi tudo tranquilo, inclusive, tão tranquilo que Mirela dormiu durante todas as visitas, ahahahaha. O chato da história é que com esta minha gripe, vou ter que suspender temporariament as visitas, pois a médica disse que eu gripe por baixa na imunidade, comum após o parto e na amamentação se não houver atenção redobrada com a alimentação e descanço…Enfim, melhor dar um tempo para eu me recuperar de vez e não pegar outra mazela…

Aos poucos, vou vendo que é possível resovler algumas coisas mesmo tendo uma bebê de 1 mês em casa. Meu marido me fez sair a força no sábado para comprar uma torta para as visitas e eu aproveitei e fui na farmácia e no supermercado. Coisa rápida, mas pra quem estava dependendo do marido e da irmã desde 20 de outubro (quando eu levei o tombo grávida), sem dirigir, depois de 3 meses foi um grande passo. E ontem consegui ir sozinha ao médico. tudo isso enquanto Mirela dormia, é claro. Foi bom me sentir útil e sair de casa…voltar a dirigir, que eu adoro, e não me sentir tão dependente para fazer as coisas. Domingo, quase fui na igreja pela manhã, por ordem do meu marido, mas expliquei pra ele (e ele comprovou) que a rotina dela acordada é de manhã, então, seria impossível eu ir no culto da manhã. Quem sabe no de 17h da próxima vez, vamos ver…

AMENIDADES…

Um exemplo de cidadania para minha pequena

Domingo de madrugada, na troca de fralda antes da mamada das 3h, peguei uma fralda da Mônica Soft Touch que parecia ter uma placa de metal dentro dela ao invés do gel absorvente. Que marmota era aquela? Fiquei com raiva porque quase coloquei aquilo na menina. Já ía jogando a fralda no lixo quando decidi, mesmo no calor do meu sono, que iria guardar a fralda e reclamar no dia seguinte com… (pausa para atender Mirela que acordou!)…

…continuando…reclamar no dia seguinte com o fabricante. Pois foi o que eu fiz. Tudo bem que era apenas uma fralda, talvez alguns centavos, mas se a gente não fala fica por isso mesmo. Liguei, fiz a observação e, qual não foi a minha surpresa quando a atendente (que passou o atendimento todo me chamando de “mãe”) falou que estaria enviando (assim no gerúndio mesmo) um vale-troca para eu pegar outro PACOTE completo da fralda nas Lojas Americanas! Olha só, se eu tivesse jogado a fralda no lixo e nada tivesse feito?!

Vou guardar a fralda marmotosa pra mostrar para Mirela que de cedo ela começou a ser cidadã, com seus direito garantidos… =)

Bem, é isso…Acho que de “news” é isso aí…

Uma canção, uma oração…

“Quero consagrar meu lar a Ti
O nosso futuro para Te servir
Com toda minha força e entendimento
Quero dedicar o meu lar a Ti

Eu e minha casa serviremos a Deus
Com alegria

Será abençoada minha descendência
Frutificará à Sua presença
Como um bom perfume meus filhos irão
Perfumar todas as nações”

Entrando nos eixos… (Mirela com 1 mês e 3 dias de vida)

Quarta-feira, 06 de janeiro de 2010.

Depois de me abrir aqui sobre “baby blues” e receber váaaaaarios coments e email de pessoas contando que passaram por isso, comecei a me sentir mais humana, e desta forma, parece que comecei a me sentir melhor… Parece até loucura, mas quando você escuta o relato de outras pessoas, as vezes com histórias bem mais complicadas do que a minha, você passa a se sentir mais normal com a sua condição de “ter problema”.

Também tenho estado mais disposta fisicamente (também, não dá pra encarar um dia inteiro sem sonecas, é claro!), apesar de três dias seguidos lutando com Mirela tendo cólicas. Parece que o corpo vai se acostumando com o pouco sono e até a alimentação louca que fazemos. Ontem, até visitas eu comecei a receber!

A cada, dia, surpresas novas. Boas e ruins.

As boas, primeiro: a cada dia, percebo as mudanças em Mirela, na sua fisionomia, no corpinho que começou a ganhar “curvas” (as dobrinhas nas pernocas, bracinhos e no pescoço), nas balbuciadas que ela já ensaia  (na hora de mamar,  basta eu colocá-la na posição de mamar que ela olha pra mim e “diz”  ‘ehhh, ehhh’, e eu respondo, e ela faz de novo!), gritinhos que ela dá (não sei como seria a onomatopéia destes gritinhos!), sorrisos ao olhar fundo nos nossos olhos e os olhos dela que já acompanham movimentos na horizontal e procuram coisas atrativas para ver, a tentativa de pegar a água na hora do banho… É um barato!

As ruins: filhos adoecem, sentem dor e, o pior, não conseguem se expressar a não ser chorando, ou melhor, berrando! As cólicas começaram pra valer e temos que dar medicação. Parece que Mirela as vezes sente dificuldade de fazer cocô e eu tenho que entrar com massagens pra ela “liberar a encomenda”, isto porque desde que nasceu faz cocô que é uma beleza; chegava a trocá-la uns 10 a 12x por dia! Agora, é em menor quantidade ao dia, mas quando ela faz vem de monte… Não sei se é a influência de algumas chuquinhas de nan que começam a baldiar o metabolismo dela…Se bem que há dois dia ela não encosta a boca em complemento, graças a Deus.

Outra coisa que parece estar entrando nos eixos: a amamentação. Relutante que estava, resolvi me render aos conselhos dos “sábios” e comecei a tomar garapa de rapadura. Não tá jorrando leite, mas Mirela tem ficado satisfeita e não tem chorado de fome após mamar. Se continuar assim, não tô nem aí se eu engordar tomando a tal garapa! Quero mais é ter leite no peito, porque pra mim é uma tortura da o leite em pó…Eu não sei bem dar a chuquinha, aí se aperreia ela e eu também me aperreio na hora de dar, com medo dela engasgar… Meu seio direito tá perfeito, sem machucado algum. O esquerdo tem uma fissura, mas até já me acostumei com a dor nela, que só ocorre quando Mirela belisca o peito, com a pega errada. Queridos, segundo minha obstetra e segundo eu mesma: amamentar é um ato heróico! Não é fácil não!!! Não se iludam e comecem a se preparar emocionalmente para passar por tudo o que vem junto com as “fotos de capa de revista”…Até chegar lá e ter prazer em amamentar, é uma luta muito grande, na qual muitas acabam desistindo.

Bem, queria escrever mais…mas a bonequinha que estava dormindo há mais de três horas agora a tarde, está ensaiando acordar…Certamente é hora da mamãe aqui desligar o computador para enfrentar, se Deus quiser, uma noite tranquila, com a segunda dose da nova medicação contra cólicas e gases.

Deus abençõe a todos! E que a sua vida entre nos eixos como a minha está entrando!

MIRELA COM 1 MÊS!!!

Domingo, 03 de janeiro de 2010.

Acho que nem preciso escrever nada…O vídeo que papai Ju fez em homenagem a este momento diz tudo…

Homenagem ao primeiro aniversário de Mirela

Baby blues, eu??? (Mirela com 29 dias de vida)

Sexta-feira, 01 de janeiro de 2010.

O primeiro post do ano. Um post escrito por incentivo do meu marido…

Só para informar, nossa primeira passagem do ano como família: por volta das 21h, jantar providenciado pela minha mãe, cada um comendo na hora que dava; à meia noite, eu, trancada no quarto todo fechado com Mirela dormindo depois de duas horas entre mamar, chorar e ter que tomar complemento, e meu marido na varanda de casa com nossa cadelinha aos máximos latidos, com a porta e janelas da sala fechadas para que Mirela não acordasse com os fogos de artifício. Ossos do ofício de sermos pais…

Agora, vamos ao post…

Não, “baby blues” não são canções de ninar para bebês. “Baby blues” é o que eu chamaria de “grande paradoxo da maternidade”.

Daqui a 2 dias, Mirela completa 1 mês e minha vida mudou completamente, como eu já havia comentado. O grande “quê” da história é que já há um mês, emocionalmente eu não sou mais a mesma de antes. Sei que este é um assunto velado para muitos talvez pelo medo de se expor ou de admitir a condição de ser humano. Por isso, decidi e por incentivo do meu marido, escrever sobre este assunto, para alertar e mostrar que não há nada de errado em demonstrar as nossas fraquezas.

Desde que voltamos da maternidade, adotei uma rotina de dedicação total à Mirela, principalmente preocupada com a questão da amamentação, que era tudo o que eu sonhava conseguir fazer. Nesses primeiros dias, o choro vinha fácil, mas eu tinha certeza que era por conta da emoção do momento, da descoberta do ser mãe e talvez pelo cansaço que muitas vezes me abatia. Mas achei que questão de poucos dias isso passaria. Mas não aconteceu assim…

Para esclarecer logo de cara, Mirela é a paixão da minha vida. Amo minha filha mais do que a mim mesma. Ela é um amor de criança, nos dando tempo para dormir e reconhecendo o que é noite e o que é dia…Não tem nada a haver com ela…A questão é comigo mesma…

Então… Tomada por sensações esquisitas, medos incontroláveis e vontades de chorar sem explicação (sem mesmo?), me peguei pesquisando na internet sobre depressão pós-parto. Foi quando me deparei com o conceito de “baby blues”. Durante a gravidez, jamais me imaginei lendo sobre esses temas, pois desejada como foi nossa filha, eu nunca imaginaria que passaria pelo que estou passando agora.

Comecei a observar que já não era mais normal após 15 dias do parto eu não querer receber ninguém e sequer querer conversar com alguém ou atender ao telefone. A princípio era tudo precaução ou por conta do tempo livre que eu aproveitava para descansar. Mas comecei a perceber que estava mesmo me isolando. Mesmo vindo aqui de vez em quando escrever ou no orkut colocar fotos da nossa bonequinha. Por mim, eu entrava como fantasma pra não saberem que eu estava varejando na internet. Mas precisava fazer algo que gosto em nome da minha sanidade mental.

As únicas vezes que saí de casa em 1 mês foram nas consultas de Mirela com 1 semana de vida e com 11 dias, quando ela fez o teste do ouvidinho e do olhinho. Ou seja, fazem 17 dias que estou enfurnada dentro de casa, sem querer sair. Tudo porque me estresso só de pensar em como será a tal saída. Que horas sair? Que horas devo dar banho na Mirela? Que horas eu devo me arrumar? Como vai ser se ela quiser mamar na rua? E se ela acordar chorando e não parar de chorar com nada? Posso parecer maluca, mas é exatemente o que penso. E é que nem tenho más referências das duas saídas que fizemos aos médicos, porque na verdade, Mirela dormiu o tempo todo, menos na consulta na pediatra que teve que examiná-la toda. E nas duas vezes eu dei peito pra ela e não houve nenhum problema… Então o que há de errado? Mais uma vez repito: o problema não é com ela, é comigo.

Li que, a grande maioria das mulheres que tem filhos passam por depressão pós-parto em algum grau. A questão é: muitas não identificam; outras tantas não admitem; outras não compartilham, diferente do que eu estou fazendo. A depressão pós-parto da pesada envolve inclusive sentimentos ruins sobre o bebê, o que não é o meu caso. O “baby blues” é uma condição mais leve de depressão, um estado de melancolia constante, causado pela variação hormonal após a gestação. Ambos podem durar por muito tempo, bem mais do que o 1 mês pelo qual estou passando… A história é tão séria que existem antidepressivos que podem ser usados por mulheres amamentando. Alguns médicos, adotam o protocolo de administrar progesterona à paciente após o parto para evitar a drástica oscilação hormonal.

A primeira vez que percebi que estava “out of control” foi no dia que eu já relatei em que tive que dar complemento para Mirela, após várias tentativas de parar a fome dela só com o peito. Chorei o dia inteiro e, no desespero, liguei para a pediatra que logo identificou meu estado depressivo. Ela me informou que no estado emocional que eu estava, a nenê estava percebendo e ficando estressada também e que aquilo estava inclusive compromentendo minha produção de leite. Dadas as duas mamadeiras de Nan neste dia, passei a noite chorando, inconformada e revendo o quanto eu estava mesmo “baixo astral”.

Todos os dias tenho pedido a Deus que tire de mim todo o sentimento de angústia, de incapacidade, de negativismo, de cansaço…Ele tem me ajudado a superar os momentos mais difíceis, mas esta é uma questão fisiológica e, provavelmente, uma situação pela qual eu tenho que passar e superar. Estou tentando aceitar isso com resiliência, aguardando o momento em que tudo se resolva, passe e enfim eu possa curtir de fato este momento que estou vivendo.

Meu marido tem sido um guerreiro ao meu lado. Estamos nos virando sozinhos. Durante o dia ele faz o que pode para me ajudar, inclusive me mandando tomar banho, comer, descansar, cuidar de mim. A noite é minha, pois Mirela só acorda ao meu chamado por volta de 3h da manhã para a mamada da madrugada, e isto não tem a ver com ele…então fica a meu cargo mesmo. Mas só ontem, no auge do meu descontrole emocional (ontem eu estava particularmente sensível), é que conversamos abertamente sobre o assunto, apesar de que ele já tinha “diagnosticado” o quadro bem antes disso…

E quem passa por este quadro? Amigos, não sei… Desejar o bebê parece não ter nada a ver, pois Mirela foi desejada mais do que tudo nesta vida… Não coloquem Deus no meio disto também, pois se fosse assim não haveria doenças no mundo. Ter tido depressão anteriormente também não é o meu caso. Só me resta acreditar mesmo na questão hormonla, fisiológica. Mas talvez algo em mim tenha me deixado mais susceptível a isto: a minha cobrança comigo mesma de que tudo seja perfeito e esteja sob meu controle (sempre fui assim na vida!)…

Segunda-feira, dai 04, tenho enfim meu retorno à G.O. após a cirurgia, visto que como eu não levei pontos externos na cesáre, não precisei retornar lá antes de 30 dias. Claro que este assunto vai estar em pauta, mas estou certa de que não irei querer tomar medicamentos. Vou em frente, tentando superar de uma forma natural e procurando reconhecer os meus limites. Sei que depois disso, minha filha sentirá ainda mais todo o amor que sinto por ela e que toda a preocupação que tenho neste momento é porque a amo muito e porque não quero que nada saia errado.

Bem, é isso… O assunto é duro para um primeiro dia de ano, mas acho que estou bem mais aliviada em contar o que estou sentindo. E que isto sirva de alerta para outras mamães que sentiram, sentirão ou estão sentindo isto. Não é nada com nossos bebê, gente! Nós os amamos muito! Se abram, conversem, desabafem e não escondam o que sentem. Talvez assim esse estado emocional passageiro vá logo embora. E peçam a Deus forças para superar esta fase, isto é muito importante!

Que o Senhor esteja conosco durante este ano, nos dando paz e alegrias!