Maternidade: experiência para toda a vida

Primos, irmãos e amigos…não necessariamente nessa mesma ordem…

Havia dias que eu queria escrever este post. Exatamente hoje, dia em que consegui tempo para fazê-lo, por uma infeliz coincidência, faleceu uma prima do papai JU, praticamente minha idade, deixando dois filhos pequenos. Uma prima com quem meu marido conviveu quando criança, com quem brincou, brigou, almoço junto na casa da avó, enfim, uma prima que fez parte do seu desenvolvimento social.

Sei que é duro escrever sobre isso nesse dia triste para a família, trazer à tona lembranças de outrora. Fatídica coincidência, mas que fique de homenagem…

Fui uma criança criada no meio de adultos ou de quase adultos. Até os 4 anos, vivi com meus pais na casa de uma tia onde moravam também tias e primos, todos estes, porém, homens, adolescentes ou adultos. Cheguei a ser dama de honra de um deles aos 3 anos, o que pode dar a dimensão da diferença de idade entre nós.

Na família por parte de minha mãe, tenho muitos primos e primas, com idades próximas à minha. Porém, a distância nos impediu de ter uma convivência familiar. Não sei o que é mesa de Natal cheia de crianças disputando a coxa do peru, não sei o que é passar férias na casa da prima confidente, não sei o que é ir ao shopping comprar presente para o aniversário de 2 primos no mesmo mês, não sei o que é da fato conviver com primos.

Por sorte, ou melhor, por Deus, eu e minhas irmãs, e incluo também minha cunhada, estamos tendo a chance de mudar esta história. Mirela já tem 4 primos com idades semelhantes à dela e mais um a caminho. A família está se renovando e tomando fôlego para seguir em frente por pelo menos mais uma geração. Apesar de saber que a distância ainda é uma fator que pode impedir a convivência entre os primos, me consola o fato de hoje termos muito mais facilidade em manter contato, em trocar fotos, conversas, e até mesmo mais acesso à viagens aéreas, coisa que no meu tempo de criança era pra gente rica, muito rica…

A relação que já se forma entre eles tem tudo para vingar. Os primos se dão muito bem, particularmente as duas primas, Mirela e Maitê. Mas dependerá também de nós pais não deixarmos morrer esta amizade familiar que nasce quando criança, para que ela se torne de fato duradoura. Caberá a nós pais não deixarmos as histórias familiares morrerem, os contatos serem frequentes via fone, internet, seja como for, as visitas constantes, as férias passadas na casa dos primos distantes, as viagens  e datas comemorativas das famílias em conjunto, enfim…caberá a nós promovermos a posteridade dessas relações que se formam. É uma grande responsabilidade que temos nas mãos (mais uma).

Falando de irmãos, devo apresentar a vocês as minhas: tenho duas irmãs gêmeas com diferença de 4 anos de idade entre mim e elas. Sendo gêmeas, e obviamente da mesma idade, tá na cara que o relacionamento entre elas sempre foi mais forte do que comigo. Hoje, mesmo depois de adultas, quando a diferença de idade nem parece assim tão grande, essa força no relacionamento entre elas continua. A relação entre gêmeos é mesmo algo difícil de se explicar, de se compreender e mais ainda de se intrometer. Portanto, minha convivência com irmãos também não foi das mais intensas, pois estava sempre isolada pela idade mais “avançada”, pelas diferentes fases do desenvolvimento.

Trazendo para os dias atuais, nossa Mirela com seus 2 anos e 3 meses, ainda é filha única, condição que não queremos que dure por muito tempo. Eu e meu marido sempre quisemos ter mais de um filho, mesmo que seja necessário lançar mão de adoção. Isso sempre foi pauta nas nossas conversas. Vejo o tempo passando, Mirela crescendo e a diferença de idade entre ela e um futuro irmão aumentando… Em breve, muito breve, temos que começar a tentar fabricar um irmãozinho para Mirela. Penso que deve ser muito difícil ser filho único, mesmo não tendo sido. O meu isolamento mesmo no meio de 2 irmãs, me mostrou o quanto é importante fazer a minha família crescer, para que Mirela possa ter experiências familiares que eu não tive…

É difícil pensar em outro filho em meio a uma condição financeira complicada, em meio ao tratamento de depressão, mas é mais difícil ainda pensar em Mirela sem irmãos… Papai Ju, o tempo “ruge” (rsrsrsrs).

A vida social de Mirela deu um grande salto com a entrada dela na escola. Mirela tem seus amiguinhos, os quais chama pelo nome um por um. Sem contar com o relacionamento com outras pessoas e cuidadores (as tias e tios, supervisora, coordenadoras, psicóloga, enfim…). Estou encantada com esta fase de socialização dela! Poderia citar vários casos em que presenciei a amizade que se forma entre ela e os coleguinhas de escola, como por exemplo, quando vou buscá-la na escola, momento em que ela logo se joga nos meus braços, e a amiguinha Lidia vem trazendo a mochila e lancheira da Mirela para entregá-la (a ela e não a mim!), ou a Maria Clara (a outra, porque tem também a Maria Clara Feijão, a quem ela se refere assim, pelo nome completo), que veio até Mirela já no meu colo, para entregar-lhe a chupeta esquecida em cima da mesinha. É muito lindo!

Mirela também tem uma grande amiga que não é da escola – Beatriz, ou Bia, para ela. Bia mora longe de Fortaleza, mas a mãe da Bia (minha amiga há 26 anos), faz questão de trazer à memória sempre que possível o nome de Mirela, e eu fazendo a recíproca do lado de cá. Mirela fala muito em Bia, e Bia em Mirela, mesmo que elas não convivam pele a pele. A diferença de idade entre elas (2 meses e meio) é a mesma diferença de idade entre mim e a minha amiga. Coincidências à parte, nós mães queremos muito que nossa amizade se perpetue através da amizade das filhas, e é nosso desejo que elas se deem tão bem quanto nós.

Não sei dizer qual foi a influencia que tudo isso que vivi, ou melhor, que deixei de viver, teve na formação da minha personalidade e do que eu sou hoje. Só sei que desejo muito que Mirela viva experiências que não vivi, experiências que a ajudarão a ser, certamente, alguém melhor do que eu.

3 comments

  1. ôoo que lindo SIS…o que vc escreveu, me emocionou!

    Isso mesmo, façamos das nossas experiências e das NÃO experiências NOVAS OPORTUNIDADES para a nova geraçãozinha da família!

    …e qto a distância…BSB, é pertinho , rsrsrsrs e o melho de tudo é essa tecnologia que aproxima MUITO as pessoas…e na geração (“Y”) dos nossos filhos aí eh que eles saberão mesmo usufruir dela e fazer com que a distância se torne um detalhe…pois com uns 5 anos eles já saberão entrar no site da TAM, GOL…e comprar as passagens…kkkkkkkkkkkkkkkk;

    Que bom que vc tá animando de viajar…depois nem vai precisar dos pais, eles vão vir só…e os meus tb irão…só vou ligar pra avisar que mandei, kkkkkkkkkkk;

    bjs!!!!!!

  2. Ohhh Tati que emocionante!!! Guardando as devidas proporções eu tb sinto falta de ter tido essa convivência familiar mais ampla, aliás eu nunca tive nem os avós por perto, e os laços de amizade foram poucos. A família dos meus pais, moram todos em Pernambuco, onde tb tenho irmãos, já que meus pais vem de outro casamento. Tenho um irmão comum, mas talvez a diferença de idade (05 anos) + a diferente opção de vida que escolhemos, acabaram nos distanciando muito e faz muito tempo que pouco nos falamos e pouco nos vemos. Mas, eu gostaria muito que tudo isso tivesse sido diferente e que eu tivesse tido alguém que eu pudesse chamar de “irmão (ã) melhor amigo”. Enfim, diante disto, o que eu mais desejo que é que minha filha tenha as oportunidades que não tive, e que ela de fato seja alguém melhor do que eu!!!

  3. tati, o melhor de tudo isso eh perceber q as coisas mudaram mesmo e vao continuar mudando…nós nos tornamos mais proximas dps q fui embora…a distancia me fez aprender um monte de coisas e dar valor a tantas outras…
    nao podemos mudar o passado mas as nossas escolhas futuras sim!
    entao vamo q vamo fazer mais meninos…kkkkkkk! te parece, minha cota ja esgotou…vai q vem mais 2…eheheheh
    amo vc e estou muito feliz de ver sua melhora!!

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