Maternidade: experiência para toda a vida

Para não padecer no paraíso…

Num momento como este, em que começamos a pensar em dar um irmãozinho para Mirela, é inevitável que as lembranças da primeira gestação e dos primeiros anos como mãe venham à tona.

Apesar de concordar plenamente que a primeira gravidez nos reserva um mundo desconhecido e que nos abre as portas para o mais desconhecido ainda mundo da maternidade, devo confessar que para um segundo passo, isso também não me soa diferente. Na primeira vez, desconhecido total; na segunda vez: experiências já vividas, que podem ser boas e/ou ruins, somadas ao desconhecido que virá – cada gravidez é uma gravidez; cada filho é um filho; criar um bebê na presença de uma outra criança que já existe é diferente, criar uma criança na presença de um outro bebê é um desafio novo – , tornam a segunda experiência ainda mais palpitante.

O que mais martela minha cabeça, no momento, é a questão: como Mirela vai lidar com a possível presença de um irmãozinho ou irmãzinha em casa? Teremos condições de dar a merecida atenção a ela mesmo envolvidos com a chegada de um recém nascido? Pode parecer precipitado, mas é o que mais me questiono quando penso em outro filho.

Tenho procurado socializar Mirela de tal maneira que ela não se sinta dona exclusiva do pedaço, dividindo a atenção para ela e outras crianças, como primos e amiguinhos. Quero que ela perceba que, ainda que eu esteja em contato com outras crianças, eu ainda sou a mãezinha querida dela, que a ama e que cuida dela sempre. A verdade é que ela tem me surpreendido, tratando sempre bem outras crianças, dividindo e compartilhando seus momentos, seus brinquedos, livros, dvds e seus pais. Teremos ainda bastante tempo para amadurecer essa ideia dela não ser a única a merecer nossa atenção, afinal, sequer estou grávida ainda… Acredito que conversar, dar exemplo de irmãos em outras famílias, pode ajudar a amadurecer a ideia na cabecinha dela, mas só o acontecimento poderá mostrar como isso se consolidou ou não…

Se depender de como tudo aconteceu durante minha primeira gravidez, eu já teria repetido a dose outras tantas vezes fossem possíveis. Pelo parto e a recuperação, tiraria de letras outras barrigadas. Caminhando mais um pouco a frente, eu poderia até desistir de um segundo filho se me deixasse levar pelas dificuldades iniciais que rondaram por aqui, como o baby blues (que virou depressão), minha fobia alimentar durante a amamentação, enfim… Mas nada de difícil ou de ruim que tenha acontecido me tira a vontade de viver novamente a experiência de gerar-parir-cuidar. E isso quem tem me ensinado é a própria Mirela, sem ao menos saber… Com cada  fase da criança que se vai, vão-se as dificuldades e ganha-se nova experiência para enfrentar a nova fase que chega. Chegam com ela novas descobertas, novas conquistas e…novas dificuldades… E assim, vamos caminhando, acompanhando o crescimento de nossa filha, vencendo etapas, momentos conflituosos na educação e desenvolvimento, mas sempre na companhia de muitas, muitas alegrias, que suplantam qualquer dor, tristeza ou dificuldade.

Existe também um fator importante e de ordem prática que costuma pairar a cabeça dos que pensam em ter mais filhos: conseguiremos oferecer ao segundo tudo o que oferecemos ao primeiro? Conseguiremos dar conta dos dois financeiramente sem que haja queda na qualidade da educação, lazer e tudo o mais? Sempre que penso nisso, logo lembro da frase que minha melhor amiga, e mãe de uma menina também por enquanto filha única, leu em algum lugar e me passou: um irmão é o único presente que apenas os pais podem dar a um filho. Quer dizer que, qualquer outra coisa, uma viagem, mensalidade escolar, boas roupas, brinquedos, seja o que for, podem ser dados por parentes, padrinhos, amigos…Mas nunca nenhuma dessas pessoas poderá conceder ao seu filho a experiência de conviver, de ter um irmão… Esse pensamento remove de mim todo o medo de não conseguir suportar financeiramente uma família maior…

Eu até entendo o que querem dizer com o dito popular de que “ser mãe é padecer no paraíso”. Entendo, mas não concordo. Ser mãe, seja de um ou de quantos forem, exige convicção total de que a sua vida mudou – se vai ser para melhor ou para pior, é você quem vai tomar partido; é só você que pode escolher incorporar as coisas boas e as coisas ruins que vem junto com a maternidade. As boas, são infinitamente maiores, mas será que você as enxerga assim? Se não conseguir, aí sim, você irá padecer, ao invés de viver e curtir o paraíso…

6 comments

  1. Ohhh Tati, pensando assim até tenho vontade de ter outro filho, quer dizer, vontade eu sempre tive, o que me falta é coragem… rsrsrs… Mas, te dou a maior força, e tenho certeza de que vc irá conseguir aumentar a família e todos ficarão ainda mais felizes!!! boa sorte!!!

  2. Adorei o texto, Tati. Eu concordo com tudinho. E fico muito feliz por sua decisão. Que é igualzinha a minha decisão. :-) Será que vem por aí mais 2 barriguinhas contemporâneas? Seria muito legal! Beijossss

  3. Priscilla Ramos /

    Obrigada, por sempre me ajudar com suas palavras…parece que esse pedaço do seu comentário foi exatamente para mim… “…Eu até entendo o que querem dizer com o dito popular de que “ser mãe é padecer no paraíso”. Entendo, mas não concordo. Ser mãe, seja de um ou de quantos forem, exige convicção total de que a sua vida mudou – se vai ser para melhor ou para pior, é você quem vai tomar partido; é só você que pode escolher incorporar as coisas boas e as coisas ruins que vem junto com a maternidade. As boas, são infinitamente maiores, mas será que você as enxerga assim? Se não conseguir, aí sim, você irá padecer, ao invés de viver e curtir o paraíso…”

  4. deninha costa /

    Concordo com tudo que você disse querida.Eu até penso no terceiro filho,mas só quando eu tiver 31 anos. Já me decidi embora muitos não concordam.

  5. Essa é uma decisão difícil mesmo, pq envolve muita coisa, o mundo tão complicado, como vc mesma disse será q vamos manter o mesmo padrão depois, enfim muiiitas dúvidas! No meu caso por enquanto ainda me ronda a prematuridade do nascimento da Mariana e a dificuldade do começo.Mas tudo passa, graças á Deus! Mas por enquanto Mariana vai curtindo os primos e primas e amiguinhos da creche da Tia Leca!bjos

  6. Que lindo, mas acho que o segundo filho gera toda esta dúvida, mas o que posso te dizer é que não tem presente melhor do que irmãos! falo com convicção pois venho de uma família grande e unida e minhas 4 irmãs são meu complemento!
    Beijo grande

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