Maternidade: experiência para toda a vida

Educar e brincar – é sempre hora e lugar

Em geral, não gosto de escrever posts apenas dizendo o que Mirela aprendeu a fazer, que faz isso e aquilo outro. Prefiro dar exemplo e explorar o assunto. Neste post vou ter que falar muito sobre o que Mirela faz para poder discorrer sobre o tema, pois quero deixar registrada a minha experiência e contribuição no desenvolvimento e aprendizado de minha filha.

Para aclarar um pouco, é bom esclarecer que minha mãe é uma avó muito presente e que, como professora de crianças por muitos anos, muito contribui e me influencia na estimulação de Mirela, sempre de forma lúdica e leve. Talvez a docência tenha sido herança materna, mas sempre trabalhei com adultos, em faculdades; nunca pensei que teria êxito na educação infantil…

Nunca escondi também o prazer de presentear Mirela com brinquedos e livros. Não sou de dar valor àqueles brinquedos caros, de marca, que muitas vezes só fazem barulho e piscam luzinhas e enchem a paciência da gente. Prefiro brinquedos simples e inteligentes, que possibilitem serem usados de formas diversas a serem descobertas pela própria criança. Some-se aí os brinquedos criados por nós, eu, a avó e o pai, que agregam valor ao conhecimento e ainda por cima trabalham o lúdico em nós e na criança, que nos vê confeccionando os objetos de sua diversão.

O resultado de nosso trabalho em conjunto vocês vão ler a seguir.

Com 1 ano e meio, Mirela já contava até 10. Até aí tudo bem, várias crianças com essa idade contam até 10. O diferencial é que Mirela aprendeu isso em casa e já RECONHECIA os números, mesmo que fossem apresentados de forma aleatória para ela, o que, em geral não é comum nesta idade. Um brinquedo criado por mim e pela avó foi crucial neste aprendizado precoce: um jogo de 10 porta-copos redondos de mdf cada qual com um número colado em E.V.A. colorido. Através de brincadeiras com esses números, Mirela os aprendeu.

Hoje, aos 2 anos e 3 meses, ela conta até 20 (incomum para a idade também), apesar de não reconhecer os números de 11 a 20 ainda (é querer demais dela, né, benhê?!) . E sabe como ela aprendeu? Não, não foi na escola, até porque lá eles vão ensinar no máximo até 10 no infantil II. Foi em casa, SOZINHA! Quer dizer, com a ajuda do DVD 1,2,3 Conte Comigo Outra Vez (Vila Sésamo). Primeiro, ela deu um susto no pai um dia que, dando banho nela, quase teve um troço quando ela contou até 10 (que já era comum para nós) e seguiu adiante, chegando até 15. Alguns dias depois, ele trocando a fralda dela me chama e pede para que ela repita o que estava falando: e lá foi ela contando de 1 a 20. Quase piramos!

E as letras? Bem, Mirela já passou do A-E-I-O-U faz teeeeempo! Hoje, ela conhece todo o alfabeto; conhece mesmo, no sentido de falar as letras em sequência e também, RECONHECÊ-LAS TODAS, mesmo que estejam fora de ordem. Ou seja, não é “decoreba”;  Mirela LÊ as letras. Sim, ela as lê em placas de carro, em muros pintados, placas de lojas, revistas, livros, tenham eles só letras ou letras e números. Mirela canta o alfabeto, aquela musiquinha que todo mundo conhece, e, ouvindo o DVD Elmo, Melhores Momentos 2, aprendeu a gostar do alfabeto também em inglês. Assim, temos que alternar a música em português e inglês de acordo com o pedido dela: “não, mamãe! em ‘inguês’!!! Várias vezes essa foi a canção de ninar escolhida por ela, o que deixa claro que ela GOSTA de saber, GOSTA dessas novidades que vão aparecendo para ela de forma sempre convidativa.

No aniversário de 2 anos, ela ganhou um brinquedo que já tinha, então fomos na loja trocá-lo. Enquanto eu procurava outro brinquedo, ela e a avó ficaram na brinquedoteca da loja e o que mais chamou a atenção dela foi um brinquedo de madeira com o alfabeto de um lado e, do outro lado, uma figura cuja inicial era a letra respectiva. Não pensei nem duas vezes: trouxe pra casa o tal brinquedo, mesmo sendo a recomendação de uso para crianças a partir de 5 anos. Ela adora ficar virando as letrinhas e falando o alfabeto na ordem que ele aparecer.

Não só de letras e números vive nossa pequena. Mirela monta bons pedaços de quebra-cabeças de até 60 peças SOZINHA. Nossa ajuda se limita a virar todas as peças com a imagem para cima para que ela possa encontrá-las. E assim, ela vai montando várias partes, até que, quando precisa, pede nossa ajuda. Gosta tanto que, quando termina, espalha as peças novamente e, como o Baby da Família Dinossauros, diz: “dinovo, dinovo!” And there we go again…

Nossa pequena notável reconhece, até o presente momento, 12 cores, saindo das cores básicas e indo até cores mais esquisitas como marrom e bege. Ah, e quanto às formas geométricas, que ela ama e chama de “fomas”, reconhece não só as clássicas triângulo, círculo e quadrado, como também já conhece o trapézio, o semicírculo e o hexágono; esses últimos ela não fala o nome, mas se pedirmos a ela, “Mirela, coloca aqui o hexágono!”, ela pega a forma certinha…

São muitos os feitos para uma criança de apenas 2 anos e 3 meses. Mas não acho que Mirela seja uma criança superdotada; ela é ESTIMULADA NA MEDIDA CERTA. O importante é que ela não é forçada a aprender; ela aprende porque gosta, já tivemos várias provas disso. Um exemplo: as vezes, quando vamos colocá-la para dormir, pedimos que escolha um livro para ler e ela diz: “ABC”, pedindo uma cartilha dada por minha mãe, na qual consta o alfabeto, que ela faz questão que a gente vá cantando as letras ou apontando para que ela vá falando… Ninguém obriga; ela pede!

O interesse de Mirela por livros é claro. Dia desses estávamos no shopping e, após brincarmos no parque, nos encaminhamos para uma livraria eu, o pai e ela. Na boa ela nos sai com essa: “oba! lifrinhos”. Qual a criança que sai de um parquinho e solta uma exclamação dessa porque entrou numa livraria? Lá ficou ela nas estantes dos infantis sob minha vigilância enquanto o pai folheava alguns títulos. Na hora de ir embora, dissemos: “vamos!” e ela: “famus!” e saiu andando em direção à porta com 2 livros debaixo do braço, para nosso embaraço rsrsrsrsrsrsrs.

Bem, espero que este não tenha sido um post chatérrimo, onde pareço só me gabar do que minha filha faz. Mas o que eu quero deixar de mensagem é que pode-se estimular uma criança a GOSTAR, TER PRAZER em aprender. Não é preciso dispor de coisas caras, mas muita criatividade e respeito aos LIMITES da criança. Foi-se o tempo em que as coisas eram aprendidas apenas na escola, na marra, na base do decorar. Agora, o que vale é ensinar a criança com coisas práticas e criativas, com o mundo que a cerca, em casa, na rua, na praia, em qualquer lugar, em qualquer tempo, para que ela entenda que tudo ao seu redor faz sentido.

P.S.: Este texto foi escrito ontem, domingo, mas como era 1 de abril preferi postar hoje, para não parecer que era mentira! rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsr

3 comments

  1. TEXTO MARAVILHOSO!!!

  2. A Mirela, pode até não ser superdotada (não tenho conhecimento suficiente afirmar ou confirmar isso), mas ela já aprendeu muita coisa não é?

    Fiquei bastante admirada mesmo, não somente pelo o que ela já sabe hoje, mas com a idade em que ela aprendeu, até pq inevitavelmente enquanto a gente ler vai fazendo uma paralelo com a nossa cria.

    Achei interessantíssimo vc diferenciar o “conhecer” do “reconhecer”. Eu digo sempre que criança é uma caixa de surpresas, vai observando, aprendendo, escutando e depois vai tirando as surpresinhas para nós pais ficarmos de boca aberta.

    Outra coisa que fiquei pensando é como cada uma tem interesses e forma de se desenvolver e aprender diferentes. Pedro até hoje nunca verbalizou uma contagem de números, nem de alfabeto, nem de formas, mas não sei se posso afirmar que ele não sabe. Para os meus olhos de adulta, parece que ele não sabe, mas como ele já me aprontou muitas surpresas, tipo de coisas que eu achava que ele não sabia e de repente estava fazendo, tenho impressão que algumas coisas estão guardadas na “caixinha de surpresas” dele, para quando for o momento ele tirar. Percebo que ele tem mais interesse por tocar o violão de brinquedo dele ou a flauta, ou riscar e rabiscar, montar as peças, reconhece bichos e seus sons; o nomes dos familiares e amigos da escola. Mês passado, Pedro com 1 ano e 10 meses, comprei o DVD Cores da Coleção Bebê Mais, para ajudá-lo nesse aspecto, pois eu não percebia interesse dele sobre isso, e aí a gente fica na dúvida , sabe ou não sabe? Eis as questões!!! Resultado: ele aprendeu a falar “zul”.

    Acho importante esse compartilhar de aprendizados Tati, sempre que possível faça, use os exemplos, as dicas, isso ajuda as outras mães! Beijos

  3. quem me dera ter tempo pra escrever sobre Davi e Maitê…pra guardar pelo menos por aqui na net os dados das descobertas…ontem uma menina no restaurante me perg com q idade eles tinham começado a falar…kkkkkk…eu pensei, pensei e pensei…e disse…sei lá, nem me lembro! kkkkkk
    hj eu entendo a mamãe….soh lembra das coisas q vc fazia e q fazia com vc….

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